UMA SEGUNDA CHANCE 0.8 - O LIVRO D'ÁGUA

O LIVRO D'ÁGUA 
4 - Uma não rainha e o seu não rei - parte 2
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INDICAÇÃO: ESCUTAR A MÚSICA CÁLICE - PITTY (para quem gostar)

Eu e Nilo tínhamos uma história, mesmo que nós não falássemos sobre o que éramos; cansei de contar quantas vezes ele aparecia pela noite para ficar comigo em meus aposentos. Achei que sentíamos o mesmo, ele havia prometido. Havia algo de estranho nessa história, pois, mesmo que Nilo não sentisse nada por mim, tínhamos uma missão a ser cumprida: derrubar o meu pai. Um grupo grande que estava tão animado com a ideia, com planos incríveis e infalíveis; o que havia acontecido?
Havia se passado uma semana desde que esperei acordada por algum sinal dos meus colegas. Tudo isso para nada. Mas eu não consigo acreditar nisso, Nilo não seria capaz, nenhum deles seria. Tentei identificar outras estranhezas pelo reino e, principalmente, em minha própria "casa"; também falei com os pais adotivos de Nilo, que disseram que ele ainda estava em missão, ou seja, não sabiam de nada. Eu não havia conseguido nenhuma pista, ninguém sabia de nada e eu não podia perguntar para qualquer um, pois eu ainda era Dewi Udan, não podia ser reconhecida. Mas, depois de alguns dias, encontrei um pedaço de papel dobrado em minha penteadeira; não pude conter a felicidade, me alegrei de pensar que ali estava a caligrafia de Nilo. Mas me enganei, e quando abri aquele pequeno papel, senti que todas as minhas forças haviam sumido; o ar havia se esgotado; meu corpo não funcionava direito e meus olhos se encheram d'água.
"Mortos."
Medo; tristeza; angústia e solidão. Eram as coisas que eu conseguia sentir naquele momento. E, quando pensei que não podia piorar, uma batida na porta me despertou, mesmo que eu não movesse um músculo.
— Princesa — disse a criada — um convite para a senhorita — esperava um obrigado, mas não lhe dei nada além de um olhar frio enquanto ela deixava o convite ao meu lado.
"Baile dos Reinos; 23.02 às 19h" com um garrancho preto ao lado, que conheci ser de meu pai: "não falte em hipótese alguma". Ele dizia como se eu houvesse alguma escolha além de dizer um "sim" depressivo. Ainda faltavam 7 horas para o baile e minha vontade era de chorar desesperadamente a cada segundo, portanto, avisei aos meus professores que estava me sentindo indisposta, coisa que certamente faria meu pai e minha adorável mãe questionarem a veracidade na primeira oportunidade.
Ando de um lado para o outro, meus pensamentos fluem como água e minhas lágrimas caem como uma grande cachoeira; meu corpo está quente, como se tivessem incendiado minhas roupas e meu coração dói. Por fim, arranco todas as minhas roupas e me jogo na minha grande cama que antes era tão macia, mas hoje se assemelha às rochas e aos espinhos. Adormeci rapidamente e só despertei quando minha Aia me sacudiu desesperadamente.
— Que susto me deu! Pensei que estivesse... pensei que estivesse morta.
— Gostaria de estar, Henê, mas o universo decidiu que meu propósito nesta vida é sofrer — seguro as lágrimas — me sinto uma caça com um grande alvo vermelho nas costas e há inúmeros caçadores ao meu encalço — me viro para ela. — Não quero descer.
— Mas precisa, princesa. Não o que te aflige, mas o rei ordenou claramente que a sua presença era a mais importante entre todas. Se não descer hoje, há de descer amanhã e levará uma grande bronca... e eu levarei também!
Peço desculpas a ela, pois, se não quero fazer por mim, faço pelos demais. É como funciona, mesmo que doa em mim, sei que dói muito mais nos criados.
Henê me veste, como sempre faz, com as roupas mais elegantes; arruma meu cabelo com cuidado e carinho, pois sabe que não me sinto bem; ela diz que não preciso de maquiagem alguma, pois meu rosto é belo demais para enfeitar com substâncias supérfluas. "Você é tudo, princesa, menos superficial", era o que ela dizia. E eu, honestamente, concordava; meus olhos eram violeta, quase brilhavam, minha pele era da cor de jaspe e meus cabelos acinzentados eram extremamente longos. Hoje, porém, meu brilho havia se apagado por completo e nem mesmo o vestido azul brilhante me devolvia a cor.
— Pronto, está linda — ela ri — como sempre. Es kaine*.
— Eles? O que quer dizer com "eles vão amar"? — Percebo que Henê hesita; ela sabia de alguma coisa. — Henê, que tipo de festa será?
No momento em que perguntei, as portas do meu quarto se abriram e minha mãe entrou apressadamente.
— Aia, pode sair; obrigado pelo trabalho — disse ela amavelmente.
— Me perdoe — Henê sussurra ao passar por mim e ir em direção à saída.
Minha mãe nada diz, apenas me olha de cima a baixo, com um grande sorriso no rosto. Em todas as ocasiões festivas ou não, minha mãe profere os mesmos elogios: "você está estonteante"; "que bela moça você está se tornando!"; "a decoração se apagou quando você chegou com tanto brilho". Eu estava acostumada com isso, e eu amava ouvir seus elogios, mas hoje foi diferente.
— Você está pronta — ela disse com um sorriso triste, seguido de um grande abraço apertado.
Seguimos pelos corredores com os braços entrelaçados, como sempre fazemos ao descer, entretanto, ao chegar no pé da escada, ela me solta e indica para que eu desça primeiro. Tudo estava estranho, meu coração batia rápido, mesmo sem saber o que estava acontecendo. Desço as escadas lentamente, enquanto analiso a situação no grande salão de festas. Há muitas pessoas... muitos jovens. Muitos garotos jovens. Todos me olhavam, sem exceção; e quando faltavam apenas 5 degraus, eu percebi o que estava acontecendo.
Crescem em mim o desejo e anseio de dar meia-volta e sair o mais rápido daquele pesadelo, mas meu pai aparece repentinamente ao meu lado, entrelaçando seu braço no meu e me guiando para o centro.
— Pai, o que é tudo isso?
— Sorria, Dewi — ele manda e eu obedeço. — Convidei todos os bons rapazes solteiros e de boa classe da região, você pode escolher qualquer um desses, basta me dizer quando encontrar o corajoso — diz ele rindo.
— Mas por quê? Por que agora?
— Dewi, adiamos demais esse compromisso, mas chegou a hora; é a ordem natural das coisas. Eu e sua mãe estamos envelhecendo, alguém terá de cuidar do trono, e você sabe que esse alguém, filha, é você. Então, te peço para que não estrague tudo.
Meu pai nem se dá o trabalho de se despedir, apenas saí andando e cumprimentando todos os homens por quem passava. Meu coração estava em pedaços, havia descoberto há pouco que perdi meu amor e amigos, e agora preciso correr para encontrar um bom marido para o reino. Para o reino, não para mim.
Não vejo mulheres aqui, simplesmente não há nenhuma, minha mãe desapareceu por completo, não há criadas mulheres; estou rodeada de homens jovens sedentos por uma bela princesa. Eu percebia os olhos dos caçadores em mim, prontos para avançar a qualquer momento, e vieram, de fato.
— Vossa alteza, me chamo Pedro, o mais talentoso do clã Mizu... — o caçador número 1 se apresenta.
— Princesa, me concederia uma dança? — Eu sou o... — o caçador número 2 interrompe.
— Ninguém quer saber quem você é — disse um terceiro caçador.
Quando menos esperava, estava rodeada de dezenas de ombros largos e rostos bonitinhos. Mal conseguia respirar no meio de tantos e tudo que eu sentia era a estúpida vontade de chorar e gritar com cada um deles. Contudo, um par de braços magros e gentis me puxou do miolo e me arrastou para longe.
— Mamãe, eu não aguento mais, por favor, me tire daqui — chorei em seus braços.
— Dewi, querida, você sabia que isso iria acontecer cedo ou tarde. O momento chegou. O seu momento — eu queria brigar com ela, chorar e gritar, mas ela parecia tão triste quanto eu, e novamente eu precisava fazer algo que eu não queria. — Não é tão difícil, há muitos jovens bonitos e ricos por aqui; o mais difícil, portanto, será achar algum inteligente — nós rimos.
— Farei o possível.
Novamente fui ao salão e minha mãe ficava para trás, mandando energias para mim, com seu sorriso meigo.
Coloquei em mente que eu só precisava escolher algum bobo o suficiente para não me aborrecer, um bonitinho o suficiente para sair bem nas pinturas, não pode ser alguém que me causará problemas ou agressivo... Mas todos me davam nojo, nenhum era Nilo. Eu só precisava casar e fingir felicidade, com inúmeros filhos e um marido indesejado. Perdida em meus pensamentos, despertei quando ouvi um tilintar agudo de taças.
— Um minuto de atenção para um brinde especial — exclamava meu pai — à minha filha e ao seu futuro brilhante. — E bebeu um glorioso gole de vinho vermelho, que escorreu pelo canto da boca.
Me aproximei do meu pai, que sorria lindamente para mim, então decido prontamente dar o meu melhor sorriso para a ocasião.
— Como vai a busca, querida?
— São todos tão... superficiais — ele ri.
— Eu imaginei que diria isso, então escolhi um para você, querida. Ah, olhe!
— Vossa majestade, Rei Arkan Dan — o jovem cumprimentou meu pai — Princesa Dewi Udan, é um prazer enorme conhecê-la finalmente. Me chamo Henuan Koine, capitão tenente da marinha — ele disse sorrindo.
Ele não parecia ruim, mas me dava nojo e pesar só pensar em beijá-lo. Senti dó daquele pobre rapaz, que procurava um casamento com uma grande e linda princesa e não era isso que ele contraria; mas no momento era isso que eu precisava ser.
— Igualmente, Capitão... Koine — eu hesito, mas ainda sorrio, tristemente.
— Ah! Que maravilha, isso merece um pouco de vinho, não acha, querida? — Meu pai nem espera que eu responda e nos puxa para a sala de vinhos, para comemorar uma união que nem existia ainda.
Meu pai tirou duas grandes garrafas de vinho tinto da prateleira e serviu os cálices; a primeira garrafa estava aberta com um pouco mais que a metade do líquido, porém o cálice do capitão Koine foi servido com a segunda garrafa, que ainda estava lacrada, com o líquido novo. Após entregar e ouvir um agradecimento do Sr Koine, o rei serviu os cálices restantes com a garrafa que já havia sido degustada.
— Os melhores vinhos para nós — ele sussurrou para mim, enquanto entregava o cálice.
— Com licença, vossa majestade, meu pai acaba de chegar — Henuan Koine se despede com uma reverência e se vira para mim, beijando minha mão. — Princesa, espero vê-la novamente em breve.
O burburinho do salão ainda era alto, e na pequena sala de bebidas meu pai bebericava do vinho, gesticulando para que eu me sentasse e bebesse com ele. Sentei na poltrona vermelha acolchoada, e ele se sentou na cadeira da frente; ficamos separados apenas por uma mesinha de centro de vidro, onde os cálices repousavam.
Fui com sede ao copo*, virei com desejo, pois precisava de um pouco de álcool em meu corpo, entretanto, assim que encostei o líquido nos lábios, senti um gosto metálico e frio. Não era vinho, não se assemelhava nada com álcool. Aquilo era sangue, e uma súbita ânsia de vômito subiu e eu não pude segurar. Vomitei tudo que podia e meu pai, que não é bobo nem nada, fechou as portas rápida e friamente, trancando com uma chave.
— Beba tudo.
— O que é isso? Pai, o que você fez?
— Dewi, eu mandei beber — ele arrastava o copo para minha direção. — Você não sabe o que é isso? Ou quer saber de quem?
— Pai — choro assustada — papai, afasta isso. Pai, afasta de mim esse cálice, pai, por favor. Eu imploro.
Eu chorava e pedia, mas ele segurava o copo firmemente contra o meu rosto, me forçando a beber. Eu não podia acreditar, aquela garrafa que estava aberta, que faltava liquido... ele havia bebido? Meus ouvidos zuniam, meu coração disparava e meu cérebro não funcionava direito. Pensei em bilhões de cenários em poucos segundos, mas eu não fazia ideia do que aquilo tudo significava.
— Essa garrafa é muito especial, não acha, Dewi? De todas que eu experimentei na última semana, o gosto do Nilo foi realmente o melhor, não acha?
Eu não podia acreditar. Eu realmente... Não podia acreditar. O bilhete dobrado na minha penteadeira veio na cabeça.
"Mortos".
Eles não me deram um bolo, não fugiram; morreram. E agora eu tinha certeza. Não me segurei por nem mais um segundo, a fúria atravessava meu corpo, não impedi que as lágrimas caíssem, não sufoquei meus gritos. Fui com toda a minha força para cima dele, gritei de dor, de raiva... gritei por ele. Por todos eles. Soquei meu pai no rosto, mas ele não se defendeu, golpeei de novo; e de novo; e de novo. Até que a tristeza me consumiu e eu não achava mais forças para golpear.
— Ele te ensinou muitos golpes bons, era um rapaz muito promissor. Vamos, Dewi, beba — ele trouxe o cálice novamente, e eu o arremessei para o outro lado da sala; meu pai me olhava com desaprovação. — Que pena, filha, desperdiçando um sangue tão doce; trabalhamos duro para tirar cada gota dele. Ele chorou do mesmo jeito que você esta chorando agora. Ah, pode gritar a vontade, ele também gritou muito.
"Beba." era o que ele dizia sem parar. A conversa ainda rolava do outro lado da porta, ninguém nos escutava. Estava atordoada, tudo doía, cada centímetro do meu corpo.
Ele pegou outro cálice e encheu do líquido, trazendo-o para mim novamente, mas, desta vez, segurou meu rosto com força, fazendo com que eu gritasse de dor e, consequentemente, abrisse a boca, para que ele pudesse me fazer beber.
— PAI! Pai por favor, eu imploro, eu imploro, eu me caso com qualquer um deles, mas por favor, pare com isso — mais sangue — pai, afasta de mim esse cálice de vinho tinto... de sangue...
— Quer saber como aconteceu? — Ele finalmente me largou. — Vocês realmente acharam que podiam esconder tudo isso de mim? Dewi, eu sou seu pai, mas eu também sou o Rei desse lugar. Eu SEI de tudo, eu vejo tudo, eu mando em absolutamente tudo aqui, me entendeu? — ele gritava muito perto do meu rosto, e eu apenas assentia com a cabeça freneticamente.
— Quando me contaram que minha filha estava para cima e para baixo com um grupo de rebeldes eu nem pude acreditar. Uma princesa frouxa e mimada estava querendo fuder com o reino do próprio pai? Como se você realmente fosse conseguir viver sem suas regalias — ele gargalhava, enquanto bebia. — Tive que ver com meus próprios olhos, e lá estava você, saindo escondida pela calada da noite, para se encontrar com aquele verme. Para dormir com ele no celeiro do MEU castelo. Quantos criados você acha que vieram me relatar dos beijos e carícias que foram trocados entre vocês?
Eu não parei de chorar em nenhum momento, as lágrimas eram infinitas e eu soluçava, com o rosto coberto do sangue que não era meu.
— Maldita hora que você me fez acolher aquele homem, o grande Nilo. Vocês iriam se casar depois de derrubar o "rei tirano", como vocês bem diziam. Aquele grupo... tive a melhor sensação da minha vida ao ouvir os gritos e lamentos de todos eles. "Tenho filhos, meu rei, me perdoe" — ele imitava, com vozes ridículas. — Todos podres, não consigo acreditar que você, minha pequena princesa, estava naquele ninho de cobras por conta própria... — meu pai se aproximava lentamente.
Tentei pensar em defesas, em contra-ataques, mas apenas me rastejava para longe, sem conseguir ficar de pé; mas ele chegou e ficou frente a frente, me fazendo encarar o par de olhos violeta, iguais aos meus. Pensei que ele fosse me matar, que fosse me bater ou qualquer coisa terrível que aquele monstro fosse capaz de fazer, mas meu mundo caiu quando ele apenas se ajoelhou e me aninhou em seus braços.
— A paixão nos cega, não é, querida? Eu te entendo, não precisa chorar — ele enxugou minhas lágrimas. — Eles não vão mais fazer a sua cabeça, não vão mais te confundir com ideias tolas, minha pobre filha, você está segura agora, e nós iremos preparar um grande casamento para você e o mais novo integrante da família! — Ele deposita um beijo em minha testa e se levanta, indo em direção à porta. — Você ficará aqui por enquanto, mas falarei com a família Koine sobre a nossa união.
Quando despertei do choque, me vi sozinha numa sala grande e vazia, com a companhia do álcool infinito pelas prateleiras. A porta estava trancada, e ainda havia gente do lado de fora, rindo e conversando, mas ninguém ouvia meus pedidos de ajuda. O cheiro de sangue ainda era muito marcante, sangue antigo e frio de Nilo.
Eu não tinha mais lágrimas, não tinha mais forças, eu era um fantoche. Uma boneca de ventríloquo em que todos podiam brincar e manipular. Eu não aguentava mais aquilo tudo, mas, por algum motivo, comecei a rir histericamente, gargalhava como uma louca até que me faltasse o ar. Peguei garrafas caras de bebida e as abri, tomei cada gole dos líquidos quentes e amargos; experimentei os doces e os nojentos, mas nada tirava o sabor de sangue. De repente, adormeci — ou desmaiei — e já era manhã. Estava em meu quarto, trocada, limpa e com os longos cabelos penteados, como se o ontem não tivesse existido.
Me levantei, meio enjoada, mas agitada, e comecei a busca pelo meu quarto; abri as gavetas, revirei os armários e gritei de frustração, então Hêne abriu as grandes portas.
— Vossa alteza, o que há de errado?
— Preciso que você me traga uma tesoura — ordenei, enquanto alisava meus cabelos acinzentados
Assim que obtive o que precisava, fiz o que precisava ser feito; estraguei um dos maiores pontos altos de beleza que eu ainda tinha. Eu precisava dar um jeito... ficar irreconhecível, e fugir daqui antes que o casamento aconteça.
— Deuses! Dewi o que você fez? — Minha mãe gritou. — Dewi, o seu pai... o seu pai não vai gostar disso, ai deuses...
— Mamãe, eu não posso. Você me entende, não é? Eu preciso ir antes que...
— Dewi, o casamento é amanhã pela manhã. Seu pai decidiu tudo ontem mesmo, enquanto você se embriagava — ela me olhava com desgosto. — Eu não te criei assim. Seu pai não vai gostar, mas não há mais o que fazer. O casamento vai acontecer, quer você queira, ou não.
Meu chão se abriu, minha cabeça explodiu. Minha mãe não acreditava em mim, não se importava mais com minhas decisões. E ela nem sabia de quem era realmente a culpa... O olhar dela me desarmou, todo o resto de coragem que eu tinha, se esgotou quando ela fechou a porta e a trancou.
— Não deixem que saia.
E as lágrimas voltaram. Encontrei conforto no chão, encolhida no monte de cabelo que havia cortado há pouco. Eu não era Dewi Udan, a princesa; eu não era Dewi, a humana. Eu não era nada, afinal.
Nada.

VOCABULÁRIO:
Es kaine: ES - ELES; KAINE - VÃO AMAR (VERBO "KAIAN" CONJUGADO NO FUTURO DESEJADO)
"A expressão "foi com muita sede ao pote" deriva de um provérbio popular maior, "Nem com tanta fome ao prato, nem com tanta sede ao pote", e é usado para dizer que não se deve fazer as coisas com muita ansiedade, avidez, ou pode pôr tudo a perder." – definição pelo site "Portuguesices"; nessa cena o significado é muito maior, pelo contexto de enganação, ansiedade e confiança.
OBS: Pensei nessa cena enquanto ouvia a música "Cálice" na versão da Pitty, que canta com ódio. 

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