Uma segunda chance 0.2 - O LIVRO D'ÁGUA
O LIVRO D'ÁGUA
1 - O ganancioso, o herói e o corvo pérfido
900. 09. 02
consultar vocabulário para palavras com *
O ano de 900 d.p.g* ficou marcado na história de Duniya Shiru por inúmeros motivos. Foi um ano de milagres, posso assim dizer. O nascimento de um novo clã, uma intervenção divina e um herói. A cidade do Pireo costumava ser rica e dona dos maiores poderes naturais nos anos antes da guerra. Infelizmente o poder subiu à cabeça, os moradores se tornaram monstros gananciosos e iniciaram a primeira guerra dos clãs. Passaram-se 901 anos desde a derrota dos antigos poderosos… desde a morte de meu pai, rei da cidade do Pireo, o maior e único homem capaz de se tornar mestre da água. A guerra havia cansado a todos, não sabíamos qual o propósito de tantas mortes inocentes e minha família não suportava ter um assassino como membro.
Eu não suportava tê-lo como pai, tampouco como rei tirano, portanto, o matei. Traí o exército do meu povo, traí meu pai e arranquei sua cabeça fora na frente de todos. Bebi do teu sangue até que os céus se abrissem para mim. A deusa da água, Dewi Udan.
Ascendi aos céus e fui adorada pelo meu povo, mas tive que aplicar uma sentença pela guerra: castiguei a todos com uma seca infernal. Houve muitas mortes, mas nunca deixaram de me adorar: “Pelo bem do futuro, pagaremos nossa dívida”. Quando a guerra acabou, iniciamos nosso novo testamento: o ano 1, o recomeço do país, o recomeço da minha cidade e do meu clã. O castigo durou 900 anos, até que eu decidi dar-lhes uma segunda chance: fiz com que a chuva caísse por um ano inteiro, trouxe de volta a fauna e a flora, fiz com que as plantações crescessem em abundância e pedi à Deusa da fertilidade que abençoasse os ventres da nova cidade da água: Oky Táva, a comando do clã Mizu.
A cidade cresceu e a amizade com as outras regiões do país era fiel a seus comércios. Os poderes naturais continuaram sendo distribuídos às meninas nascidas com sangue puro Mizu; era um voto de confiança dado por mim e tudo corria bem em Duniya Shiru, até que três bebês homens nasceram. Um deles era o herdeiro do clã Nukushimi da cidade de Karanlık köy — e capital de Duniya Shiru —, seu nome era Kratyo. Quanto aos outros bebês, os dois nascidos em Oky Táva: Gidan e Fetket, dois futuros grandes homens, mesmo que de jeitos diferentes. Os dois foram abençoados — ou amaldiçoados — por poderes. Desde o início da civilização, apenas as mulheres nasciam com essa dádiva, e ninguém nunca soube o porquê, mas sempre aceitamos esse fato, até que meu falecido pai descobriu seus poderes de água, sendo assim, nomeado o primeiro homem poderoso. Era uma raridade um homem nascer assim, mas esse nascimento era algo realmente impossível, ainda mais com dois de uma vez.
No mesmo dia, ao mesmo tempo.
Gidan nasceu com os mesmos poderes de meu pai e os céus tinham grandes planos para o seu futuro; por outro lado, Fetket nasceu com algo mais raro ainda, um poder nunca visto antes e nem os deuses sabiam o que aquilo significava, mas sentiam que era ruim. Muito ruim. Poderes malignos, das sombras.
BÔNUS: Todos os nomes citados de clãs, pessoas ou lugares foram criados por mim com referências de idiomas indígenas ou outros idiomas não tão conhecidos.
Grande parte das palavras com * vão ser as que eu criei, com exceção da palavra "pérfido" que já é uma palavra existente; além de termos ou siglas.
Os capítulos referentes ao livro d'água serão, em sua grande parte, curtos, mas importantes.
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